Filarmônica baiana investe na preservação e digitalização do seu acervo musical

A Filarmônica Minerva Cachoeirana, da histórica cidade baiana de Cachoeira, na região do recôncavo, investe na preservação e digitalização de seu acervo musical. O projeto Preservar e Compartilhar a Memória Musical do Acervo da Filarmônica Minerva Cachoeirana é fruto de um edital aberto em março de 2020, que recebeu 143 propostas de 66 países. O projeto foi selecionado e ficou entre as 10 iniciativas culturais contempladas para receber recursos financeiros das instituições internacionais, como da Prince Claus Fund, da Holanda; e da Gerda Henkel Stifung, da Alemanha.

O objetivo é realizar a conservação preventiva e documentação museológica, através do diagnóstico, higienização, acondicionamento e digitalização do acervo de partituras musicais. Estão previstas ações de formação na área de preservação, além de oficinas de Educação Patrimonial, Conservação preventiva para acervos de papel, Pesquisa do acervo de partituras, Confecção de embalagens para o acondicionamento de partituras, Digitalização do acervo de partituras e criação de site institucional.

Das 8.895 partituras que já foram higienizadas, 6.315 estão devidamente documentadas e a previsão é concluir todas as etapas do trabalho até dezembro de 2021. A intenção é selecionar e disponibilizar algumas partituras no site que será criado para difundir o acervo, composto por peças musicais antigas, dos séculos XIX e XX, entre arranjos criados a partir de obras originais de países como França, Itália e EUA, de bandas militares e inéditas.

A coordenação do projeto é de Menderson Bulcão, Roberaldo Galiza e Sheyla Monteiro. Para a museóloga Aline Gomes, técnica em preservação do projeto, essa é uma ação essencial à preservação do patrimônio cultural. “É importante que este legado musical seja preservado para Cachoeira e para o mundo e que seja socializado para que outras instituições possam ter esta oportunidade de resguardar a memória musical produzida”. Os três monitores, treinados pelo projeto em preservação e digitalização de partituras, avaliam a experiência como positiva para ampliar a consciência do valor do acervo e disseminar o conhecimento adquirido.

O projeto tem como monitores, os músicos da própria filarmônica, Heggo Ian, Samuel Caick Barbosa e Silas Daniel Silva. “Podemos multiplicar tudo que aprendemos com os maestros e outros músicos para preservar mais esses bens”, ressalta Heggo Ian, de 17 anos, que toca flauta transversal na Minerva Cachoeirana. Para o trompetista Samuel Caick, de 19 anos, o treinamento ultrapassa o universo musical. “Aprendemos a olhar além do aspecto musical, são novos conhecimentos no trabalho, abreviaturas para identificar e documentar, técnicas de conservação e cuidados com o acervo”. Já o percussionista Silas Daniel, de 16 anos, destaca o crescimento pessoal. “Antes eu tinha outra visão, depois desta experiência melhorou muito, temos mais cuidado com as partituras, aumenta a consciência e a responsabilidade com a preservação”, declarou.

Tradição musical de 143 anos

A Sociedade Lítero Musical Minerva Cachoeirana foi fundada em 10 de fevereiro de 1878 pelo maestro Eduardo Mendes Franco. O presidente em exercício é o maestro Felisberto José da Silva, que assumiu o cargo após a licença do presidente Carlos Roberto Franco. A filarmônica coleciona prêmios em festivais, participando de concertos, cerimônias religiosas e cívicas em todo o estado, como os cortejos da Independência do Brasil no 2 de julho em Salvador e em 25 de junho em Cachoeira, Festa d’Ajuda, encontros de filarmônicas, Festa da Irmandade da Boa Morte, aniversário de Cachoeira e outras solenidades.

Ao longo dos anos, a filarmônica mantém a tradição de formar músicos através de sua Escola de Música Alcides dos Santos, que oferece gratuitamente aulas teóricas e práticas para dezenas de adolescentes e jovens, em sua sede em Cachoeira, na Praça Barão do Rio Branco. Dirigida por uma equipe multidisciplinar, sob a direção pedagógica de Denise Marques, a escola retomou este mês suas atividades através de aulas remotas, on line.

Neste contexto pandêmico, a Minerva Cachoeirana foi contemplada com a aprovação de projetos com o apoio do Programa Aldir Blanc Bahia, da Secretaria Estadual de Cultura, da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) e da Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura (Sudecult), via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial de Cultura do Ministério do Turismo. Foram promovidas lives, oficinas de aprendizado musical, incluindo percussão e flauta doce, oficinas de luthieria, e encontros musicados através dos projetos Charanga da Minerva, Minerva Cachoeirana: Ensinamentos de uma filarmônica secular, Soprando um sonho e Minerva Cachoeirana: Cidadania Cultural Musicada.

Claudia Correia

É assistente social, professora, mestre em Planejamento Urbano e Regional, jornalista e colaborado do site Rafael Veloso.com.br. E-mail: ccorreia6@yahoo.com.br